Monday, August 24, 2015

A Literatura na Gastronomia - Fernando Pessoa


Fernando Pessoa
Poeta português
1888 - 1935

De certo, muitos de nós temos o poeta português, Fernando Pessoa, como um de nossos favoritos. E se acaso você ainda não conhece este fantástico escritor, não perca tempo, pois a vida é curta para deixarmos de conhecer algo de sublime, encontrado em sua obra literária.
Cozinhando com Amigos, tem aqui prestado diversas homenagens àqueles que se deleitam com a culinária de seus respectivos países ou mesmo da cozinha mundial, e as eternizam em suas obras. Muitos já passaram por nossas páginas ao longo destes anos e não poderíamos de este ilustre e renomado poeta, de fora desta galeria.
Fernando Pessoa é o mais conhecido dos poetas portugueses. Mas o que poucos sabem, é que Pessoa era um amante inveterado da culinária portuguesa. Não se abstendo de registrar em seus versos, costeletas de porco, bolos, figos, nozes, queijos, sardinhas e outros.
Pessoa apreciava a simplicidade do cotidiano, o que se refletia na mesa. Ovos com chouriço eram devorados com satisfação acompanhados com doses e doses de “bagaço” – popular aguardente feita com restos de uvas usadas para fazer vinho.
Mas não estamos aqui para falar dos exageros etílicos de Pessoa, mas sim de suas preferências gastronômicas. Dentre as inúmeras receitas lusitanas, destaquei aquela que faz parte da lista de sobremesas e que é a sua predileta – o arroz-doce com canela. Fazia seus olhos brilharem por trás das lentes redondas de seus famosos óculos; sendo imortalizado nos versos do poema, que transcrevo a seguir:

Quadra popular

O manjerico e a bandeira
Que há no cravo de papel.
Tudo isso enche a noite inteira,
Ó boca de sangue e mel.

Manjerico que te deram
Amor que te querem dar...
Recebeste o manjerico
O amor fica a esperar.

Ai, os pratos de arroz-doce
Com as linhas de canela!
Ai a mão branca que os trouxe!
Ai essa mão ser a dela!

Manjerico, manjerico,
Manjerico que te dei,
A tristeza com que fico
Inda amanhã a terei

Tuesday, August 18, 2015

Pancetta Italiana - Das legiões romanas aos finos restaurantes


Na Roma antiga, os legionários recebiam a cada três dias uma ração de alimentos com um item obrigatório: a pancetta. Considerada um alimento altamente energético, era consumido para garantir a força dos legionários durante as batalhas.
Pancetta é a barriga do porco, é o bacon não defumado; deriva de pancia, que em italiano refere-se a abdomens avantajados do porco. No Brasil, é comum encontrarmos esta peça, na versão “caipira”, a qual é usada na feitura do torresmo.
Podemos considerar a pancetta, como a peça nobre na produção do toucinho; pois sua preparação oferece um rico equilíbrio de sabor, podendo ser levemente picante, adocicada e bem menos salgada que o bacon. Pode ser servida assada inteira, como se fosse um rocambole, condimentada com pimenta-do-reino, pimenta calabresa,, canela, erva-doce, louro, mostrada, cascas de laranjas, etc.


Atualmente, a pancetta dos antigos legionários passou a frequentar a alta gastronomia na cozinha de vários países. Muitos chefs tem utilizado este agora nobre ingrediente, em suas receitas.
A pancetta porém, tem diferentes formas de elaboração, sendo a mais conhecida a curada com sal e temperos sobre uma peça de grossa camada de gordura, e seca por três meses. A pancetta defumada, também é utilizada, tal como o bacon; porém o que a difere é o uso de pimenta e especiarias.
As receitas mais comuns que utilizam a pancetta, são preparadas com carnes, cozidos, frituras e molhos.

Osteria, Trattoria, Taverna ou Ristoranti


Entre tantas opções de restaurantes italianos, sempre me chamou a atenção a existência de diferentes tipos entre eles. Refiro-me ao nome dado em relação ao tamanho ou a forma de atendimento. O que diferenciaria uma Osteria de uma Trattoria, de uma Taverna e de um Ristoranti? E penso que muitos das amigas e amigos que visitam o blog, também têm esta dúvida.
         Se buscarmos a etimologia destas palavras, ficará mais fácil entendermos seus significados. Senão, vejamos.

OSTERIA

O termo osteria, tem origem na palavra oste, do francês antigo ostesse, que por sua vez deriva do latim hospite, hóspede em português. Uma das primeiras representações da palavra osteria está no capítulo do Poder Judiciário do “Signori di Notte”  que, como o nome sugere, zelavam pela tranquilidade noturna de Veneza, no século XIII. A etimologia do nome refere-se a verdadeira função do lugar que é a da hospitalidade.
Desde a época da Roma antiga já existiam locais semelhantes às osterias; chamavam-se enopolium, enquanto que em thermopolium era servida comida e bebida quente, mantidas em temperatura ambiente em grandes potes de barro colocados no balcão. As osterias surgiram como locais de apoio a viajantes, atendendo espaços de comércio, servindo também como locais de encontro para as reuniões e relações sociais. Sendo muitas das vezes, simples e humildes assumiram importância de acordo com o lugar onde estavam.

TRATTORIA

A trattoria é um estabelecimento popular, tipicamente italiano, para a venda e consumo de refeições no local. O nome deriva do verbo trattare em italiano,  por sua vez vem da palavra francesa traiteur, derivado de traiteur, ou seja tratar, preparar. Algumas trattorias são bem conhecidas e procuradas pela qualidade de sua comida e pela caracterização, de preparações de pratos locais e/ou regionais. De uma forma geral, os seus preços já são uma atrativo local, que é caracterizado por uma maior simplicidade no serviço e mobiliário, mas com qualidade e quantidade de alimento oferecido excelente.

TABERNA ou TAVERNA em italiano

A taberna é um espaço muito parecido com o botequim ou um bar. A diferença é que o bar abre a noite somente, e algumas tabernas abrem na hora do almoço; outra diferença é que as tabernas servem refeições completas (“pratos feitos”), com um cardápio pouco diversificado.

RISTORANTI

O termo restaurante vem do francês restaurant, de restaurer, ou seja, ristorare em italiano, restaurar em português. Esta palavra foi citada pela  primeira vez no século XVI, significando “um alimento que restaura“ e se refere principalmente a uma sopa rica e de gosto refinado. Em 1765, teve sua atual “tradução” quando um cozinheiro parisiense chamado Boulanger abriu uma empresa de catering. O primeiro restaurante a adotar a forma que mais tarde se tornou padrão hoje em dia, com o cliente sentado em sua mesa com a sua própria porção, tendo a possibilidade de escolher o que comer a partir de um menu, com horário de funcionamento específico, foi o Grand Taverne de Londres, fundado em 1782 por Antoine Beauvillier. Parece que o nome é derivado do lema “Vinde e eu vos restaurarei”, pregado na fachada do primeiro edifício deste tipo.
Atualmente, a diferença entre estes estabelecimentos, é muito pequena; estando suas características mais ligadas às tradições e origens destes tipos de local. Ao que parece, os donos destes estabelecimentos, buscam muito mais um nome bonito para seu estabelecimento; sendo que muitas vezes, o local não é condizente com o tipo de atendimento que o nome sugere, descaracterizando o significado real do que a terminologia em sua origem significava.
Podemos considerar que uma Osteria, hoje em dia, é um local com poucas mesas, dando uma sensação de um lugar mais reservado e acolhedor. É um ambiente, onde o atendimento é feito geralmente, pela família do proprietário. Com preços acessíveis e com comida farta.
A Trattoria, também tem uma característica familiar, tendo em seu cardápio, refeições com características regionais e locais. Sendo mais freqüentados que as osterias, tornando-se por isso ou por causa disso, mais famosos.
Como disse anteriormente, a Taverna já tem cara de botequim, onde você encontrará sempre, algo também pra comer. Um local onde os fregueses vão mais para beber e conversar.
Ristoranti é mais refinado, como devem ser os bons restaurantes. Muitas mesas, cardápio variado, garçons e toda a formalidade e pompa que um restaurante oferece.
Agora que você conhece estes tipos de restaurantes italianos, da próxima vez que você for a Itália, ficará mais fácil escolher que tipo de atendimento e que pratos você gostará de saborear.

Sunday, August 16, 2015

Você conhece o mangarito?


Foto: Alex Silva

Neste fim de semana, ganhei de um amigo, vários exemplares de uma famosa revista brasileira de culinária; e claro, aproveitei o presente para me debruçar sobre elas e conferir o que tinha de bom.
Achei uma matéria muito interessante, que trazia um tema muito interessante e que realmente, eu ainda não havia ouvido falar. Tratava de um tubérculo chamado mangarito, muito utilizado na culinária caipira (principalmente pela população do interior do Brasil) Uma batata tipicamente brasileira que praticamente foi extinta por não ter perdido espaço de comercialização para a batata-inglesa (a batatinha, como também é conhecida em algumas regiões).
O mangarito teve seu primeiro registro feito em 1587, por Gabriel Soares de Sousa, em seu Tratado Descritivo do Brasil. Em 1625, foi novamente descrita em outra publicação – Tratado da Terra e Gente do Brasil, de autoria do padre jesuíta Fernão Cardim. Sendo consumido pelos índios, porém, muito antes da descoberta do Brasil.
De sabor amendoado, o mangarito é também conhecido por mangarás tornou-se raridade nos mercados brasileiros; da mesma família do inhame e da taioba; são utilizados na culinária, fritos, cozidos, em forma de purê, sopa, bolinhos e assados.
João Lino, um produtor paulista que desde a infância, teve como meta, resgatar a utilização deste tubérculo, pode ser considerado como o reintrodutor do mangarito no cenário gastronômico brasileiro. Culinaristas, gastrônomos, revistas e jornais, deram destaque a este ingrediente tipicamente brasileiro.
É no município de Embu-Guaçu, no entorno de São Paulo, que seu João teimou em plantar mangarito, cujo formato lembra uma batata cheia de dedinhos, desde 1985. "Tem um sabor precioso, que lembra castanha portuguesa e é inesquecível", comenta.
A Chef Mara Salles, do restaurante Tordesilhas, em São Paulo, usa o mangarito desde 2007, divulgando este inusitado ingrediente em diversas receitas. Faz questão de limpá-los um a um, cozinhando-os em seguida e comendo-os simplesmente passados na manteiga. “Também são ótima companhia para assados, frangos ensopados e carnes de panela”, ensina Mara, que também faz nhoque de mangarito. “Mas a receita que mais surpreendeu meus clientes foi a do ceviche de peixe branco com pimentas amazônicas e mangaritos em melado de cana”, conta a chef.

Flocos de mangarito sobre o seu creme, prato elaborado pela chef Mara Salles, do restaurante Tordesilhas. Foto de Marcos Issa

João Lino, incentiva as pessoas a plantarem os rizomas para evitar a extinção da planta. “Eu costumo brincar com quem me liga para fazer pedidos dizendo que eu não vendo para comerem, mas sim para plantarem”, comenta. Porém, poucos são os que conseguem com sucesso produzir o mangarito. Segundo Lino porque o cultivo é trabalhoso. “É uma planta que gosta de regiões de baixada e de terra fofa, com boa adubação e irrigada com cuidado, pois não vai bem em terra encharcada. Além disso, a colheita é delicada. Se ele for colhido úmido apodrece muito rapidamente”.
Para o coordenador técnico da área de hortaliças da Emater-MG, Georgeton Silveira a questão comercial é a principal responsável pela queda drástica do cultivo do mangarito. “Ao longo dos anos os produtores foram optando por hortaliças de propagação mais fácil, mais produtivas e que são consequentemente mais lucrativas”, analisa. Silveira conta que há dois anos a Emater-MG, em parceria com a Embrapa, deu início, em Sete Lagoas (MG), a um trabalho de preservação de diversas espécies de hortaliças não convencionais. Além do mangarito, estão sendo propagadas em hortas a araruta, o inhame, o jambu, entre outros. “Criamos bancos de multiplicação e em breve teremos material suficiente para distribuir paras as comunidades locais que tiverem interesse em cultivar essas plantas.”

Friday, June 5, 2015

Quiche de alho-poró com azeitonas

 

Amanhã estarei de novo, participando da Feira Agroecológica do Lago Oeste, um bairro próximo a Brasília, formado por centenas de chácaras e que tem por meta, transformar-se em um local de referência na produção de produtos agrícolas orgânicos.
Na semana passada, preparei umas quiches e as levei para vender na Feira; e para minha satisfação, as pessoas gostaram muito.
Quando publiquei a foto no Facebook, invariavelmente, me pediram a receita; e aqui está. Atendendo aos pedidos, uma receita de quiche de alho-poró com azeitonas, que você pode fazer para o lanche ou mesmo como prato principal. Podendo fazer em uma forma grande ou em pequenas formas, de acordo com sua preferência.
Anotem a receita e bom apetite!

Ingredientes da massa
250 g ou 1 ½ xícara de farinha de trigo
150 g colheres de sopa de manteiga
1 ovo
2 colheres de sopa de água
Pitada de sal
 
Ingredientes do recheio
200 ml de creme de leite
4 ovos
2 talos de alho-poró fatiados bem fino
1 colher de sopa de manteiga
100 g de parmesão ralado grosso
100 g de azeitonas pretas fatiadas
Sal e pimenta-do-reino a gosto

 

Fazendo
Massa
Coloque a farinha de trigo em uma travessa, abrindo um buraco no meio. Coloque no centro da farinha a manteiga gelada cortada em cubos. Misture com a ponta dos dedos formando uma farofa. Bata levemente o ovo com a água e o sal e adicione à mistura de farinha. Misture bem a massa, até formar uma bola e descolar da mão. Deixe descansar por 20 minutos.

Recheio
Fatie finamente a parte branca do alho-poró. Em uma frigideira, coloque a manteiga e refogue-as até que fiquem bem macias. Acrescente as azeitonas, misture um pouco e reserve.
Bata ligeiramente os ovos e acrescente o creme de leite, temperando com sal e pimenta a gosto.
Abra a massa com um rolo e forre o fundo e as laterais da assadeira com bordas onduladas (ou as forminhas) com fundo removível. Coloque o recheio sobre a massa e cubra com o creme de ovos. Leve ao forno aquecido em médio (180º C) e deixe assando por 30 minutos ou até o recheio firmar. Deixe esfriar antes de desenformar ou cortar.

Obs.: Se você não gostar de azeitonas, basta não colocá-las. 

Monday, June 1, 2015

Comida de Boteco - Coxinha da asas de frango frita


Sempre é bom revisitar receitas antigas; pois as pessoas ficam mal acostumadas em preparar pratos mais requintados, de sabores e origens diferentes do nosso habitual e até esquecem de fazer coisas simples, que atendem nosso paladar e imagino eu, da grande maioria dos amigos.
A famosa comida de boteco – ou melhor dizendo, petisco de boteco, neste caso. Um petisco simples e ligeiro, que tanto pode servir na entrada como pode ser prato principal, acompanhado de uma boa massa ou mesmo um feijãozinho com arroz e salada.
Estou falando da coxinha da asa de frango. Um aproveitamento desta parte do frango, que agregaram um valor comercial a ela e que trouxe mais uma opção de aproveitamento do frango.
Dependendo de como é feita, a criançada adora; e muito marmanjo também. Cozida ou frita, este prato tem variações infinitas tanto na maneira de preparar quanto de servir. Hoje eu as fiz fritas, bem temperadas ao meu jeito usando poucos ingredientes. Um quilo foi o suficiente para quatro pessoas. Vamos à receita?

Ingredientes

1 kg de coxinhas da asa de frango
1 colher de sopa de casquinha de limão siciliano com ervas finas
1 colher de sopa de páprica doce (ou picante se preferir)
500 ml de óleo de girassol
Sal quanto baste

Fazendo

Retire as coxinhas da embalagem e lave-as em água corrente. Coloque-as em uma tigela e misture bem com todos os ingredientes. Reserve.
Aqueça uma frigideira média de borda alta e coloque o óleo para aquecer, certificando-se que tenha o suficiente para cobrir uma coxinha. O óleo deverá estar bem quente para que a fritura seja bem homogênea e não encharque o coxinha. Coloque as coxinhas fritas em uma travessa com o fundo coberto por papel toalha.

Sirva imediatamente e bom apetite!