Sunday, August 16, 2015

Você conhece o mangarito?


Foto: Alex Silva

Neste fim de semana, ganhei de um amigo, vários exemplares de uma famosa revista brasileira de culinária; e claro, aproveitei o presente para me debruçar sobre elas e conferir o que tinha de bom.
Achei uma matéria muito interessante, que trazia um tema muito interessante e que realmente, eu ainda não havia ouvido falar. Tratava de um tubérculo chamado mangarito, muito utilizado na culinária caipira (principalmente pela população do interior do Brasil) Uma batata tipicamente brasileira que praticamente foi extinta por não ter perdido espaço de comercialização para a batata-inglesa (a batatinha, como também é conhecida em algumas regiões).
O mangarito teve seu primeiro registro feito em 1587, por Gabriel Soares de Sousa, em seu Tratado Descritivo do Brasil. Em 1625, foi novamente descrita em outra publicação – Tratado da Terra e Gente do Brasil, de autoria do padre jesuíta Fernão Cardim. Sendo consumido pelos índios, porém, muito antes da descoberta do Brasil.
De sabor amendoado, o mangarito é também conhecido por mangarás tornou-se raridade nos mercados brasileiros; da mesma família do inhame e da taioba; são utilizados na culinária, fritos, cozidos, em forma de purê, sopa, bolinhos e assados.
João Lino, um produtor paulista que desde a infância, teve como meta, resgatar a utilização deste tubérculo, pode ser considerado como o reintrodutor do mangarito no cenário gastronômico brasileiro. Culinaristas, gastrônomos, revistas e jornais, deram destaque a este ingrediente tipicamente brasileiro.
É no município de Embu-Guaçu, no entorno de São Paulo, que seu João teimou em plantar mangarito, cujo formato lembra uma batata cheia de dedinhos, desde 1985. "Tem um sabor precioso, que lembra castanha portuguesa e é inesquecível", comenta.
A Chef Mara Salles, do restaurante Tordesilhas, em São Paulo, usa o mangarito desde 2007, divulgando este inusitado ingrediente em diversas receitas. Faz questão de limpá-los um a um, cozinhando-os em seguida e comendo-os simplesmente passados na manteiga. “Também são ótima companhia para assados, frangos ensopados e carnes de panela”, ensina Mara, que também faz nhoque de mangarito. “Mas a receita que mais surpreendeu meus clientes foi a do ceviche de peixe branco com pimentas amazônicas e mangaritos em melado de cana”, conta a chef.

Flocos de mangarito sobre o seu creme, prato elaborado pela chef Mara Salles, do restaurante Tordesilhas. Foto de Marcos Issa

João Lino, incentiva as pessoas a plantarem os rizomas para evitar a extinção da planta. “Eu costumo brincar com quem me liga para fazer pedidos dizendo que eu não vendo para comerem, mas sim para plantarem”, comenta. Porém, poucos são os que conseguem com sucesso produzir o mangarito. Segundo Lino porque o cultivo é trabalhoso. “É uma planta que gosta de regiões de baixada e de terra fofa, com boa adubação e irrigada com cuidado, pois não vai bem em terra encharcada. Além disso, a colheita é delicada. Se ele for colhido úmido apodrece muito rapidamente”.
Para o coordenador técnico da área de hortaliças da Emater-MG, Georgeton Silveira a questão comercial é a principal responsável pela queda drástica do cultivo do mangarito. “Ao longo dos anos os produtores foram optando por hortaliças de propagação mais fácil, mais produtivas e que são consequentemente mais lucrativas”, analisa. Silveira conta que há dois anos a Emater-MG, em parceria com a Embrapa, deu início, em Sete Lagoas (MG), a um trabalho de preservação de diversas espécies de hortaliças não convencionais. Além do mangarito, estão sendo propagadas em hortas a araruta, o inhame, o jambu, entre outros. “Criamos bancos de multiplicação e em breve teremos material suficiente para distribuir paras as comunidades locais que tiverem interesse em cultivar essas plantas.”

2 comments:

  1. mangarito temos mudas para plantio
    agroruralmf@gmail.com

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    1. Bom saber! Vocês estãoa qui no Brasil? Em que estado?

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