Desde
jovem me interessei pela culinária. Tivesse a origem que fosse me interessava
conhecer – sabor e maneira de fazer. Assim, aprendi a fazer diversos pratos, de
diversas nacionalidades; e sempre que posso, confronto o que aprendi com novas
idéias, substituindo alguns ingredientes quando necessário, adicionando outros,
variando temperos e dando um toque pessoal a eles.
Dizem
que na cozinha nada se cria tudo se copia. Mas a busca pelo novo deve ser uma
constante, e nisso eu acredito. Sendo assim, esta semana, conversando com
Cecília, fiquei conhecendo um prato argentino muito interessante e saboroso,
que me deu vontade de fazê-lo imediatamente. O delicioso Locro Argentino.
Conheça
sua história
Apesar da popularidade que possui na Argentina o locro persiste também no resto da
América Latina, embora com nomes diferentes. O termo “locro” vem do quíchua,
associado também com nomes como “rokkhro” ou “rocro”, originalmente do império
Inca. Esses aborígines espalhados pelo país, trouxeram sua cultura de seus
lugares de origens. Ao mesmo tempo, muitos atribuem o locro há tempos pré-incaicos, dizendo que sua origem surge dos
povos andinos, cuja dieta era à base de milho, feijão e batata.
Na Argentina, essa salada entrou pelo Noroeste e Cuyo, e se
espalhou por todo o território, adotando características de cada região.
Atualmente, em todo o país, o locro se prepara para comemorar principalmente as
festas nacionais como: a Independência, Dia da Bandeira, Dia do Governo Pátrio,
etc.
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| Photo by Nora Iniesta |
Locro
Argentino
As avós são as principais transmissoras da arte culinária para
filhas e netas, que acrescentaram novos sabores a receita original. Qualquer um
que viu fazer a receita comprovou que o locro
envolve alguma dedicação e tempo. Fogo
baixo por várias horas na cozinha. Devido ao número de elementos do locro, é saudável e nutritiva, ideal
para comer no inverno.
Além disso, para aqueles que trabalham muito ou no campo, este
prato é a melhor escolha para ingerir calorias. O locro é símbolo nacional em todo o país como as empanadas e o asado
argentino.
Fiz a opção deste prato para fugir da trivial macarronada de
domingo ou mesmo das peixadas e frutos do mar que gosto de fazer.
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| La Iglesia Catedral - Córdoba, Argentina |
Loco Criollo.
Foi a opção mais parecida com a de “mamá” Norma Del Castillo e suas venerandas
ancestrais. Receita antiga, da culinária cordobesa argentina.
Fiz algumas adaptações para torná-la um pouco mais leve, uma vez
que ainda estamos no verão, aqui no Brasil. Mas como eu disse anteriormente, a
adaptação de uma receita pode ser feita sem que se mude sua essência; e assim
degustamos esse delicioso prato.
Ingredientes
1 kg de feijão branco
500g de milho branco
(canjica)
1 kg de coxão-mole
(cortado em cubos)
1,5 kg de costelinha suína
salgada
5 linguiças calabresas
defumada cortada em fatias finas
150 gr de bacon (com pouca
gordura) cortado em pedaços pequenos
6 unidades de paio (cortado em
rodelas grossas)
6 espigas de milho verde (cortado em rodelas
médias)
1 talo de alho-poró cortado em fatias bem finas
500g de abóbora okaida (pode ser outra de sua
preferência)
2 cebolas médias (cortadas em pétalas)
azeite extra-virgem a gosto
Sal a gosto
1 colher de sopa de lemon pepper
4 folhas de louro
Obs.: Estas medidas servem 25 pessoas, afinal, é um prato comemorativo e portanto, tem que ser para muitas pessoas.
Modo de
preparação
Coloque
de molho o feijão e o milho branco (canjica), o tempo necessário para que
fiquem macios.
Neste
prato, um detalhe importante deve ser levado em consideração. Frite as
linguiças (portuguesa e calabresa) e o bacon à parte. Retirando ao máximo a
gordura destas carnes. Reserve a gordura e as carnes devidamente fritas. As
costelinhas suínas você deverá dessalgá-las, de preferência desde o dia
anterior; retirando o excesso de gordura, com uma faca, antes de levá-la ao
cozimento.
Cozinhe
o feijão e o milho branco em água e sal, em panelas separadas. Faça o mesmo,
com as espigas de milho e as abóboras (que deverão estar descascadas e cortadas
em cubos médios). Despreze o caldo da canjica, do milho e da abóbora. Reserve.
As espigas de milho e a abóbora entrarão ao final.
Em
uma panela grande (usei uma panela de barro) coloque um pouco da gordura das
linguiças fritas e deixe aquecer. Frite as cebolas, o alho-poró e os dentes de
alho. Deixe dourar e acrescente o coxão-mole, temperando-os com o lemon pepper (que
é uma mistura à base de raspas de limão siciliano e pimenta-do-reino moída). Acrescente as
linguiças, o paio, o bacon e o vinho. Deixe refogando por cerca de 10 minutos.
Coloque
o feijão e a canjica na panela, misturando-os com cuidado, aos demais ingredientes.
Adicione um pouco de água, caso o caldo esteja muito espesso. Misture com
cuidado; adicione as folhas de louro e deixe ferver para apurar o sabor, por
cerca de 10 minutos.
Finalize
com os pedaços de espigas de milho e os cubos de abóbora. Corrija o sal se
necessário.
Sirva
imediatamente. Bom apetite!
Nota: Este prato originariamente não tem
acompanhamento. Mas para atender os "convidados" brasileiros, servi arroz. Mas você pode
também, acompanhá-lo com pães, tipo italiano, por exemplo. Outro detalhe importante, é que em Córdoba, se come o locro, com um molho picante (com cebola, pimentão vermelho e uma pimenta), que é colocado por cima, na hora de servir.



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